Texto e entrevista por André Rossanez
O Portal Me Gusta teve o grande privilégio de conversar com a cantora e digital influencer Gabi Luthai, na sede da Universal Music em São Paulo.
Talentosa, a artista está de single novo. “Respire Fundo” é uma canção inspiradora e tem a participação do incrível duo Mar Aberto.
Gabi me recebeu com muita simpatia e bastante acolhedora. Uma garota de olhar brilhante ao conversar e ao falar sobre sua carreira e seu amor pela música.

Nós conversamos sobre carreira, música, inspirações, projetos novos e e “Respire Fundo”. Saiba na íntegra, o que Gabi Luthai contou.
Portal Me Gusta: Como surgiu a música na sua vida?
Gabi Luthai: Desde criancinha eu gostava muito de me expressar. Digo isso, porque eu não era aquelas crianças, que você pega os vídeos da infância e só tem lá eu com o microfone. Não. Tinha eu cantando, eu dançando, atuando e desfilando. Eu falava que desfilava. Altura não tenho, mas eu achava que super dava para ser modelo. Então sempre gostei de me comunicar e sempre fui uma comunicadora nata. A música de fato sempre esteve presente, eu ouvia muita música desde criança e é uma coisa que eu tenho o hábito. E não consigo entender quem não tem o hábito de ouvir música. Mas aos 13 anos ali na pré-adolescência, foi quando comecei a cantar de fato e participei de uma banda da escola, que era uma banda de Pagode. Depois comecei a tocar violão e de fato cantar e tocar em rodas de amigos compor e realmente fazer música.
Me Gusta: Quais são as suas inspirações e processo de composição?
Gabi: Depende bastante. Eu gosto sempre de pensar pra quem eu tô falando. As vezes surge uma ideia, obviamente, porque daí vem uma inspiração que vem e você grava ali um nota de voz. Parece que às vezes vem do além, surge. É uma inspiração que acho que vem de outro plano. Mas quando sento pra compor, eu começo pela harmonia e pelo violão ou começo pela melodia e pela letra mesmo. Mas gosto de pensar, em pra quem tô falando e com quem que estou me comunicando. Então meio que traço um tema ou me apego a alguma história que vivi ou uma história que alguém me contou. Ou eu pego uma história que vivi e mudo completamente. Lembro que quando eu era solteira, tinha um amigo e escrevi uma música pra ele. Se eu mostrasse pra ele e falasse que fiz pra ele, ele ia dizer ‘essa menina é louca, porque não aconteceu nada disso’. Mas acho que é uma licença poética, gosto de ir um pouquinho além e de escrever sim, sobre a realidade, sobre coisas que aconteceram. Mas gosto dessa possibilidade de criar, inventar e reinventar histórias.
Me Gusta: Como surgiu o lado youtuber e digital influencer?
Gabi: Surgiu em 2008, 2009 por aí mais ou menos, quando eu postei o meu primeiro vídeo no You Tube, mas no meu canal mesmo, o primeiro foi em 2010, quando decidi que ia gravar um vídeo cantando, pra que as pessoas me descobrissem. Já gravei querendo que isso acontecesse. Postei assim, “quero que isso aconteça, não sei se vai acontecer, Espero que sim e se não, tudo bem, estou feliz e compartilhando”. O que é bem curioso, é que sou uma pessoa bem extrovertida desde criança, mas no primeiro vídeo eu tô tão travada, que parecia, Meu Deus, que eu estava sendo obrigada e tava tímida. Porque acho que tinha essa coisa da adolescência, do medo da rejeição, do que as pessoas iam pensar. Hoje em dia, tenho isso muito menos, talves em alguns momentos mais de insegurança. Hoje em dia consigo postar uma foto ou qualquer coisa penando que amei a foto e vou postar e aí se as pessoas quiserem falar bem ou mal, tudo bem é a opinião delas. Suriu daí, em 2010 e estou até hoje.

Me Gusta: Qual foi a inspiração ao escrever o novo single “Respire Fundo” com o Mar Aberto?
Gabi: Essa foi uma canção que escrevi com mais três amigos, William Santos Gabriel Rocha e Sabrina Lopes, em um dia no estúdio. A gente foi no estúdio pra compor. Então naquele dia a gente já tinha escrito algumas coisas bem diferentes da ‘Respire Fundo’ e bem no finalzinho da noite, na madrugada já, a gente tava sentado, instrospectivo e mais tranquilos e a gente começou um pouco com a melodia e eu falei ‘pera gente, para tudo, a gente tá falando com quem?’, porque eu fui na minha linha de raciocínio de ‘pra quem tô escrevendo’ e todo mundo não entendeu e eu falei que eu precisava ter isso, Porque nessa altura do campeonato minha cabeça tava um turbilhão de idéias e precisava focar em alguma coisa e eu mesma respondi, ‘a gente tá escrevendo pra um filho’ e todo mundo ‘mas você não tem filho’ e eu disse ‘sim, não tenho, mas se eu tivesse um filho, e tivesse uma única mensagem pra passar pra ele, seria essa’. Aí nasceu “Respire Fundo”.
Me Gusta: Como surgiu a parceria com o duo Mar Aberto? E como foi gravar o clipe?
Gabi: O convite para o Mar Aberto participar da música surgiu quando eu decidi gravar essa minha composição e eu sou muito fã do trabalho deles e muito amiga deles, e eu falei ‘amigos, vamos fazer uma música juntos?’ e eles já tinham escutado a música, porque eu já tinha compartilhado com eles. E eles disseram ‘a gente super topa, porque a gente adorou essa música e vai ser demais’. Quando a gente tava criando o roteiro do clipe, eu e o diretor (o André) estávamos na Califórnia escrevendo e eu achei que a gente tinha tinha que ir um pouco mais além. A música passa muita leveza e a mensagem é para você espalhar o amor e fazer o bem. E que se a vida te convida pra dançar um ritmo descontrolado e injusto, respire fundo, que você abre o seu coração para o mundo de possibilidades. Quando você respira fundo e fecha os olhos, você volta pro seu centro e se equilibra. E como fazer isso de uma maneira bem atual? Surgiu a ideia de abordar a temática de tecnologia e redes sociais, e que de fato a gente tá o tempo todo conectado demais, mas muitas vezes se percebe desconectado do mundo e até de si mesmo. Daí, surgiu o clipe, pra trazer um pouco mais de peso pra isso, uma reflexão mesmo. Você já sabe que é pra espalhar o amor e fazer o bem e todo mundo fala ‘respire fundo’, mas será que quando você vê isso se identifica e vê que talvez esteja deixando sua vida passar no automático? Será que não é melhor você parar pra respirar mesmo?

Me Gusta: Como é pra você participar e apoiar o movimento do Setembro Amarelo e o CVV (Centro de Valorização da Vida)?
Gabi: No ano passado eu já tinha falado do Setembro Amarelo, nas minhas redes sociais. Pouca gente sabe. Esse ano foi bem legal, percebi que até o momento muitas pessoas estão falando sobre isso, porque é urgente falar sobre saúde mental, sobre depressão e até mesmo sobre gatilhos para o suicídio. Ano passado quando falei, percebi que muitas pessoas ainda acham até hoje, que depressão é brincadeira, que não é sério. E talvez queiram julgar o quanto o outro tá sofrendo. Passei por um processo, onde meu atual noivo, teve depressão por um ano e meio. Viver com alguém que tem depressão é muito difícil e doloroso. Você se vê sem saída. Muita gente me pergunta isso e recebo muitos relatos e eu compartilho nas redes também. Você não tem o que fazer, se sente de mãos atadas porque o outro tá sofrendo e você não consegue ir lá e arrancar a dor do outro. Depois que a gente passou por tudo isso, o Téo já tava em processo terapêutico e nós dois fazíamos terapia, cada um a sua. Eu passei por uns seis meses, que meu psiquiatra considerou depressão e foi difícil. Eu não tinha vontade de nada, cheguei a tomar remédio, mas o meu foi muito mais rápido. Acho que o Téo, tava sofrendo tanto que eu, não me permitia sofrer, porque ele precisava de mim. Depois que a gente passou por isso e tava com uma vida mais leve e mais gostosa e tranquila, escrevi ‘Respire Fundo’, que veio nesse meu momento de leveza. Depois que a gente passou por isso e fez esse clipe que fala de redes sociais, e com um monte de gente falando do tema e do excesso de informação e ansiedade e tudo o que isso nos causa e likes e mais likes, eu falei ‘preciso abordar isso esse ano de uma maneira mais enfática’, porque é importante concientizar as pessoas sobre esse problema. Se fala muito sobre outras temáticas, como o Outubro Rosa, porque não falar de saúde mental e abordar isso com a devida importância?
Me Gusta: Quais são as suas maiores inspirações na música? Com quem gostaria de dividir o palco?
Gabi: Tenho muitas inspirações. Amo música e então escuto muita gente. Pra resumir bem, eu sou muito fã da cena da MPB antiga e de Bossa Nova. Gosto muito de Tom Jobim e de Elis Regina. E falando do atual, eu amo Sandy e Junior, o atual da Sandy também, o solo, a Sandy pra mim é perfeita. Luan Santana é um artista que gosto muito, acompanho toda a trajetória dele e gosto muito de como ele amarra tudo na carreira, além da música dele que me toca. Eu sou muito eclética, então é bem difícil responder essa pergunta. Acho que o Ed Sheeran também, o John Mayer, Colbie Caillat. Então, tem um pouco de tudo. Eu gosto muito também de música latina. Essas são minhas referências. E parceria musical, eu gostaria muito do Luan e da Sandy.
Me Gusta: Como é sua relação com os fãs e as redes sociais?
Gabi: Eu me considero bem ativa e tento ser o mais participativa possível e realmente ter uma troca e não só passar informações, dar conteúdo e só falar. Eu gosto de postar uma foto e perceber os comentários e responder. Gosto de ser um pouco mais acessível. Eu não acredito nessa coisa do artista inacessível. Tem gente que diz o que o artista tem que ser inacessível para gerar mais desejo. Mas antes de ser artista eu sou um ser humano, então eu não quero que meus fãs me vejam com um estigma, uma personalidade que eles nunca vão ter acesso, pelo contrário. Gosto de me mostrar bastante acessível. Eu estou aqui fazendo minha música e compartilhando com vocês, mas quero que vocês me vejam como ser humano, por isso que gosto de ser bastante ativa e manter contato.

Me Gusta: Em 2014, você fez a versão em português de “Corre”, um dos maiores sucessos da dupla mexicana Jesse y Joy. Como foi fazer sua versão?
Gabi: Essa música é maravilhosa. E é difícil fazer a versão de um grande sucesso. Acho que na verdade é uma super responsabilidade, pra você não fazer e o público que conhece a versão original dizer, “meu Deus, como você estragou a música”. Então eu senti na pele essa responsabilidade. Mas eu acho que o bacana dessa versão é que as pessoas me falam “adoro a versão original e também adoro sua versão”. Os que não conheciam a versão original, gostaram da minha versão também. As pessoas gostaram muito, não teve muita rejeição. Não fiquei me prendendo muito a isso, eu falei “vou fazer e tentar ser o mais fiel possível, porque gosto muito dessa música, pela letra que ela tem e então não tem porque eu desfigurar” e eu trouxe ela para o meu universo.
Me Gusta: Quais os próximos passos da carreira?
Gabi: Eu tenho mais singles pra serem lançados. Só não sei se vou lançar esse ano ou no começo do ano que vem, porque eu quero entender como é que vai ser a “Respire Fundo” e realmente ficar nesse momento respirando, sem pressa, com paciência. Mas quando digo sem pressa, não é que eu tô de braços cruzados sem fazer nada. Eu já tô bolando mais coisas, tem outras composições, tem música que já tá pronta e estou definindo o momento certo para lançar. Mas meu próximo passo e sair em viagem com meu projeto “Por Aí Com Gabi”, que é um projeto que eu viajo pelo mundo e conheço vários países e culturas. Eu fiz durante 90 dias pela Ásia de Dezembro a Março, e agora vou fazer nos próximos dois meses pela Europa. O público que me acompanha vai poder entrar um pouco mais nesse universo de viagens e da minha percepção mesmo dos lugares. Eu gosto muito de conhecer cidadezinha as pequenas, e coisas que estão um pouco fora da rota do turismo convencional. Acho que isso faz eu me descobrir como pessoa e ter essa oportunidade de conhecer novos horizontes, novas culturas e pessoas que tem uma percepção diferente, além da língua e de serem de outro país. Isso acrescenta muito como ser humano. Esse é o meu próximo projeto, o “Gabi Por Aí Europa” e depois mais músicas.
Me Gusta: Como você vê a questão do empoderamento feminino?
Gabi: Acho que ele vem sendo cada vez mais forte. Eu lembro disso, quando surgiu Paula Fernandes e começaram a surgir as mulheres na cena sertaneja mesmo, não tanto pela questão das letras, porque elas são consideradas de empoderamento feminino. Mas acho que foi a cena de um universo de negócios, business que era muito masculina. Só se viam artistas grandes masculinos, tirando a Ivete, a Claudinha e outros nomes já consagrados. Acho que alí, a mulher já começou a se mostrar e já marcar presença e falar “agora não vai ser mais só homens, não”. Acho que isso é muito positivo de uma maneira geral. Existem homens e homens, assim como mulheres e mulheres, é uma questão de ser humano. Mas a questão do empoderamento feminino é realmente mostrar para a sociedade que a mulher desde sempre fez e faz coisas que os homens também fazem. E elas precisão e merecem ter o devido reconhecimento. Acho que esta é realmente a questão. Não é começar uma guerra dos sexos, é uma questão de igualdade mesmo, e acima de tudo, de respeito.

Me Gusta: Qual a melhor parte de ser cantora?
Gabi: Eu amo tanto isso. Acho que no meu caso, é acima de tudo fazer o que eu amo. Posso passar horas e horas gravando em estudio que eu saio de lá e penso “que dia maravilhoso, estou cansada, mas foi perfeito”. Agradeço a Deus a cada minuto, por eu estar fazendo o que amo. Da vida de cantora, mexer com a emoção das pessoas é muito gostoso. É uma recompensa você criar uma coisa que vem do seu coração, é muito especial. Acredito que para todos que criam algo, é muito especial perceber que isso toca na vida das pessoas, que vai além do seu universo. Então, isso é de fato algo muito gratificante.
Me Gusta: O que você diria aos novos cantores?
Gabi: Diria que antes de tudo respire fundo e persista, porque não necessariamente as coisas vão acontecer no momento em que você espera. Mas se você tiver um trabalho sólido, coeso, com coerência e bastante autenticidade e verdade, o resultado vem. E mais do que o resultado, o fato de você se enxergar naquilo que você faz, te trás uma realização pessoal, que vai além do resultado e do sucesso que os outros conseguem perceber em você.

É sempre muito bacana quando vemos uma artista tão jovem, que ama e respira música e que tem uma visão tão bacana e inspiradora do mundo e da arte.
Ao conversar com Gabi, sentimos todo o amor que ela sente pela música e por seu público. Além de talentosa, ela é extremamente simpática e cativante. Sua trajetória nos inspira, a não desistir dos nossos sonhos e fazer tudo que amamos com o coração aberto.

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