Topo Da Minha Cabeça – Faixa a Faixa

Conheça detalhes das faixas do álbum “Topo Da Minha Cabeça” de Tássia Reis.

Como uma linha de chegada que celebra as dores e delícias de um longo percurso, o novo projeto da cantora, registra um ensaio de movimentos introspectivos e reconexão com sua ancestralidade, para então reafirmar: “Topo Da Minha Cabeça é o ponto mais alto e mais importante a se chegar, é o ponto que almejo, é o topo que quero e vou conquistar”.

Fique agora com o faixa a faixa do projeto, por Tássia :

1) Topo da Minha Cabeça – “A faixa-título do disco propõe um exercício de presença, que é ser e estar desde as pontas dos pés até o topo de sua cabeça. Estar por inteiro com você. Muitas vezes esquecemos o caminho que nos traz de volta a nós mesmos. Quando nascemos, nos amamos por inteiro, amamos os dedos da mão que acabamos de descobrir, amamos nossos pés, nossa imagem no espelho, e não temos medo de nada. À medida que crescemos, muitas vezes os padrões e opressões da sociedade nos distancia desse amor próprio, e o medo de não pertencer e corresponder às expectativas dos outros só cresce. Essa faixa é como um mantra que propõe esse resgate”.

2) Brecha – “Esta por sua vez é um samba minimalista e cadenciado. Quantas histórias, feitos e contribuições de mulheres pretas foram apagadas da história? Seja intelectualmente ou tendo suas subjetividades negadas, como desejos, anseios, amores e etc. Objetivamente, também sabemos que as mulheres pretas são as que mais sofrem opressões, inclusive nos índices de feminicídio. E ainda sim mulheres pretas, indígenas e periféricas seguem sendo criativas nas soluções do dia a dia, no trabalho, muitas vezes fazendo jornada tripla para dar conta de tudo. Esse samba diferente quer dizer pra essas mulheres que eu as vejo, eu também sou uma delas”.

3) Asfalto Selvagem – “Este samba groove narra a realidade bruta e áspera de quem nasceu e cresceu numa periferia, as violências que sofremos e que nos forjou essa armadura, que acaba por ser a mesma usada para enfrentar o dia a dia e vencer essas e muitas outras adversidades. O samba sempre soube traduzir a vida, dando vez a quem não tem, sendo o grito guardado na garganta de angústias e amores, mas também de um retrato social e racial em meio a poesia e a batucada”.

4) Nós Vestimos Branco – “Um Funk Ijexá com influência de breakbeat é como descrevo esta faixa, um som que foi atrás de entender porque usamos branco na sexta-feira. Dizem que a resposta mais simples geralmente é a correta, portanto, é por causa de Oxalá. Já no culto tradicional africano conhecido como Obatalá, resgatando memória a partir do Itã da criação, e reforçando a importância de se manter a tradição e respeito, na contramão do fundamentalismo religioso”.

5) Tão Crazy (feat Theodoro Nagô) – “Um R&B BR puro e clássico. Doce, romântico e realista. Uma conversa íntima e honesta, um convite a compartilhar angústias, medos e tristezas numa relação recíproca, se colocando à disposição para essa partilha da vida e sendo um ponto de calmaria nesse mundo tão desgastante, é como eu apresenta esta”.

6) Só um Tempo (feat Criolo) – “Este Neo-Soul, Samba e Rap é o resultado de quando a gritaria do mundo se junta com a nossa gritaria interior, daí é necessário uma pausa para recuperar o fôlego, o silêncio, e se entender nesse processo. Nosso entendimento sobre o tempo tem mudado. Num mundo tão digital estamos quase 100% do tempo disponíveis nas redes, e falta tempo para elaborar nossos pensamentos e nos lembrar de coisas importantes para nós mesmos”.

7) Sol Maior – “Um MPB e Samba Groove. Como diz o poeta Arlindo Cruz: ‘quando a gente ama brilha mais que o sol’. Essa faixa fala sobre esse momento, quando estamos apaixonados e brilhamos intensamente. Como é gostosa essa sensação, e por mais que o resultado dessas paixões nem sempre seja o esperado, é importante continuar vibrando para que o nosso querer seja sempre um vislumbre no horizonte”.

8) Previsível – “Esse Pop Indie e Rock Psicodélico é sobre uma desilusão amorosa de alguém que não foi sincero ao compartilhar suas reais intenções e não conseguiu sustentar o que disse, agindo de forma completamente previsível”.

9) Rude – “Eu sou uma mulher grande, grande de altura, de tamanho, de talento, de sonhos e ambições. Percebi-me diminuindo, se apequenando tentando ser o que não sou diante do mundo pra tentar se encaixar nas expectativas e inseguranças dos outros. Dentro disso vivia também meu medo de ser considerada arrogante, por não concordar com tais padrões e expectativas. Se reconhecer é precioso e revolucionou minha relação com o mundo e do mundo comigo. Peguei esses profundos questionamentos, juntei com um pouco de deboche em um Drill com elementos de Samba, Funk e Rap e decidi não corresponder à expectativa de ninguém. Se me reconhecer é ser Rude, que seja!”.

10) Ofício de Cantante – “Este Samba, Boombap e Rap é sobre a minha profissão, meu ofício de cantante, o que eu escolhi mas que também me escolheu. Essa faixa fala sobre a vontade de tocar um instrumento e extravasar os sentimentos das mais variadas formas numa canção. Uma reconexão ancestral. ‘Não, ninguém faz samba só porque prefere…’, assim diz a composição de João Nogueira e Paulo César Pinheiro, e eu acredito muito nisso”.

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