Texto e entrevista por André Rossanez
João Gabriel é um dos maiores e melhores cantores do Sertanejo atual e acaba de lançar trabalho ao vivo pela Universal Music.
O Portal Me Gusta teve o privilégio de conversar com ele por telefone sobre sua carreira e o novo DVD e EP “João Gabriel no Morro”, já disponível nas plataformas digitais e com participação de Dilsinho e MC Maneirinho.

Saiba tudo que conversamos na íntegra e conheça ainda mais esse grande cantor, que além de muito talentoso é carismático, simpático e ama a música. Amor esse que consegui perceber em seu tom de voz ao falar de seu trabalho.
Obs: Devido a um problema técnico de áudio, a primeira resposta da entrevista estará em texto corrido e as demais, as falas do artista estão devidamente transcritas.
Portal Me Gusta: Como surgiu o amor pela música na sua vida?
João Gabriel sempre foi incentivado pelo pai que era muito ligado a música e foi através dele que surgiu sua paixão por essa arte tão linda. Desde pequeno já cantava e gravou o primeiro disco aos 10 anos de idade. João escutava muito as músicas da dupla Leandro e Leonardo, que foi a primeira influência sertaneja para que ele cantasse o estilo.
Me Gusta: Como surgiu a oportunidade e como foi ter a música “Eu Quero Sempre Mais” na trilha sonora da novela ‘O Outro lado do Paraíso’?
João Gabriel: Meu sonho era gravar em Neshville. Acho que o sonho de todo cantor é gravar lá. Tive a oportunidade de viajar para Nashville e gravei duas versões. Uma delas foi essa. Na época eu era da Som Livre eles gostaram demais da música e chegaram até a direção musical da Globo e mostraram a faixa. Eles acharam que tinha tudo haver com a trilha de “O Outro lado do Paraíso” uma novela com filmagens mas no campo. E “Eu Quero Sempre Mais” foi esse presente, de eles gostarem e colocarem na novela. Pra mim era um grande sonho participar de uma novela. Os meus ídolos sempre emplacaram músicas em novelas das 9, e de todos os horários. E foi uma felicidade imensa, ainda mais sendo uma música composta por mim e com o astral de Neshville, que também foi uma viagem inesquecível. Foi um momento muito bacana.

Me Gusta: Como foi escolher o repertório do EP “João Gabriel no Morro”?
João Gabriel: Esse repertório surgiu com o contato com o Blener Maycom, que é um dos maiores produtores do Brasil que revelou Cristiano, Araújo Felipe Araújo e Naiara Azevedo. Numa e da minha para Goiânia conhecer o Blener, que já conhecia o meu trabalho que faço aqui no Rio de Janeiro há um tempo. E ficamos nesse namoro de meados do ano passado até esse ano. Agora em Janeiro, sentamos e Blener me apresentou um lado mais comercial da música sertaneja, o que tava rolando no momento e o que o público, não somente das grandes capitais, mas de todo o Brasil, ia começar a aderir e curtir. Ele é um cara muito antenado nisso. A gente começou a escutar as músicas e chegamos nesse repertório, que para mim é o melhor que já fiz até hoje. E foi uma outra surpresa também cantar no Morro da Urca. na hora de pensar em gravar as imagens um dos nossos sócios falou ‘tenho um contato no Morro da Urca e podemos fazer lá’ e foi incrível. O repertório todo feito pelo Blener, por mim e por Waléria Leão, aqui também é um grande nome da música. Foi tudo pensado pela produção desse DVD mesmo. Um repertório muito pensado. A gente escutou muitas músicas para chegar nessas seis.

Me Gusta: Como foi gravar “Pézin Na Rua” com Dilsinho e “Rebola Sem Pressa” com o MC Maneirinho?
João Gabriel: Eu escolhi dois amigos. O Dilsinho é meu amigo há muitos anos, a gente tem uma amizade de mais de 8 anos. É uma grande amigo e torcemos muito pelo sucesso um do outro. docinho chegou em um momento bem indo para na carreira dele no momento que ele sempre sonhou e na hora que pintou a música falei ‘cara, essa música já virou um pagodinho, já virou pagodejo. Dá para colocar uma sanfona e um cavaco, e dá para convidar esse irmão que é o Dilsinho’. quando mostrei a música para ele foi na hora que ele aceitou e estar perto dele para mim é sempre muito bacana. Ele tem uma energia limpa e é um cara com um carisma maravilhoso. É uma energia muito boa. Foi fantástico gravar com ele. O MC Maneirinho mora em frente à minha casa, no condomínio em frente. Maneirinho é um cara com quem tomo sempre cerveja aqui na praia. Engraçado que apesar de eu ser sertanejo, moro na beira da praia. Às vezes eu tô no quintal de casa encontro com Maneirinho e tomamos cerveja juntos. E quando pintou a música “Rebola Sem Pressa”, ele curtiu pra caramba. Foram gravações com amigos, então é aquela energia mesmo, aquela verdade que a gente acaba gravando e passando para o público, de verdade.

Me Gusta: “Lovezinho” é uma música com pegada de Bachata. Como foi escolher ela como primeiro single desse novo trabalho?
João Gabriel: Essa música, quando o Blener me mostrou junto com a Valéria (a música eu deles com Rafael Quadros), falei ‘cara, essa música é um chiclete’. Quando ouvi, me arrepiou na hora. Ela arrepia e tem uma história muito bacana, com o refrão bem grudento, pegajosa. E quando a gente resolveu lançar o trabalho, resolvemos lançar por partes. A primeira música foi “Lovezinho”, que com certeza marca um diferencial na nossa carreira. Sempre gravei muita música romântica. Tem coisas dançantes, mas como “Lovezinho” não tinha ainda. Foi pra impactar mesmo o nosso público e a gente queria também captar um público que ainda não conhecia o João Gabriel. A música foi lançada e está surpreendendo a gente.
Me Gusta: Como você vê o Sertanejo atualmente?
João Gabriel: Acho o Sertanejo é um estilo, cheio de estilos dentro. A Bachata mesmo é um ritmo latino americano e o Sertanejo consegue ter o poder de apostar em outros estilos, que viram Sertanejo. A gente fala da vida cotidiana das pessoas. Temos elementos como a sanfona os violões dobrados e um estilo de tocar bateria. Acho que o Sertanejo é um gênero que tem vários momentos ímpares e diferenciados e que nunca sai de moda. e acho que posso dizer mais do que qualquer um, por estar no Rio de Janeiro. Quando o Sertanejo chegou no Rio, a primeira noite sertaneja no estado do Rio de Janeiro, quem fez fui eu. Depois que a gente conseguiu abrir essa porteira aqui, todos os eventos tem Sertanejo. E acho que o Sertanejo tá vivendo sempre um grande momento.
Me Gusta: Como é sua relação com os fãs?
João Gabriel: A melhor possível. Procuro responder a todos. As minhas redes sociais são totalmente abertas e acho que é ali que encontro minha força para dar continuidade ao meu trabalho e ali que eu tenho a esfera de onde a gente está chegando, do que tá acontecendo e do que as pessoas esperam do João Gabriel. Então a minha relação com os fãs é a mais aberta possível. tenho um carinho imenso e tenho eles como as pessoas mais importantes da minha carreira e da minha vida. A vida do artista sem o fã é uma vida sem trabalho e sem perspectiva. Somos uma família.

Me Gusta: O que você diria para os cantores em início de carreira?
João Gabriel: É uma carreira que precisa de muita persistência e muita perserverança. Você tem que se dedicar demais ao canto, a um instrumento e não pensar que vai ganhar dinheiro de pronto. Você tem que saber que o dinheiro e a fama só vem com o tempo.
Me Gusta: O que você pode jantar dos próximos passos da carreira?
João Gabriel: Vamos divulgar esse trabalho, “João Gabriel no Morro”, com um João Gabriel totalmente repaginado. Em dezembro a gente quer gravar um novo projeto. Tem muitas novidades por aí e também parcerias musicais. Mas o maior foco no momento é trabalhar muito o DVD.
Me Gusta: Pretende lançar composições suas também?
João Gabriel: Tem algumas composições nos CDs passados e o tempo inteiro vem pintando coisas, sim. Esse é um DVD/EP, uma coisa mais curtinha e tenho vontade de gravar um DVD completão com músicas que fiz, inclusive para minha filha. Penso sim em lançar algo mais autoral.

Me Gusta: Como é o seu processo de composição e suas inspirações?
João Gabriel: E muito natural. Costumo dizer que sou meio fofoqueiro, fico ouvindo a conversa dos outros na mesa do restaurante ao lado, e eu sempre capitando algumas histórias para poder chegar e ter inspiração. A minha própria vida também e as conversas com os amigos. Às vezes a inspiração vem quando eu tô quase indo dormir e a letra bate toda na minha cabeça, e sento na sala, crio uma melodia e sai uma música. Mas não tem muito momento não, agora tem a facilidade do celular e a gente pega o gravador de voz e vai gravando o que vem à cabeça.
