Cacife Clandestino, formado por Felp 22 e Terror dos Beats, lançou a trilogia “Contravenção” pela Sony Music.
As três músicas, em Maio e Junho, gradativamente foram lançadas como videoclipes, e o Portal Me Gusta teve a felicidade de falar com o Felp 22 por telefone sobre este novo projeto do Cacife Clandestino e o que vem por aí.
Saiba tudo o que conversamos sobre carreira, o EP “Contravenção” e clipes. Leia na íntegra a entrevista e saiba mais sobre esse projeto tão bacana do Rap Nacional. Você vai adorar!

Portal Me Gusta: Como surgiu o projeto Cacife Clandestino e também seu nome?
Felp22: O projeto começou comigo e o Terror dos Beats na quadra de rima de Botafogo em 2011, em um circuito de roda de rima aqui do Rio de Janeiro que se chama Circuito Carioca de Ritmo e Poesia (CCRP). e o nome tem a ver com o Cacife Clandestino das ruas, como se fosse uma aposta das ruas, um cacife fora do padrão.
Me Gusta: Como surgiu a ideia de fazer a trilogia “Contravenção”?
Felp22: Eu faço muito sons por dia como treino e tem muita coisa que dá certo, tem muita coisa que a gente quer lançar logo, mas ao mesmo tempo também tem coisa que às vezes não dá. Então a gente decidiu lançar de três em três músicas para também estudar um pouco o público. Uma música diferente da outra então para saber o que o público tá esperando e se tá gostando mais do nosso som assim ou de outra maneira, a gente vai alternando os temas e as músicas como se fosse um teste mesmo, e é algo fora do padrão. E é por isso que a trilogia se chama ‘Contravenção’. O que é contra o padrão de lançamento que tem muito no rap e dá meio que uma abusada.
Me Gusta: Como é o seu processo de composição?
Felp22: No processo de composição eu faço um freestyle. Eu chego no estúdio, fazendo na hora. Tem coisa que eu levo às vezes para casa, para fazer com mais calma, mas a maioria é tudo freestyle, na hora mesmo. É natural.

Me Gusta: Como foi fazer os clipes das três músicas?
Felp22: Foi maneiro. A a gente já tá acostumada a fazer bastante clipe assim sequência. É uma correria louca, mas com resultado muito maneiro. São três clipes e não um só. Três músicas no Spotify e três vídeos no You Tube, então é uma correria muito intensa, mas é divertido e a gente vai fazer mais uma vez isso.
Me Gusta: Como surgiu o sucesso “Dogstyle”?
Felp22: A gente tava numa turnê no Sul. Sempre fazemos shows no Sul e que a gente sempre fica na mesma casa. e eu sempre levo o estúdio móvel para gravar as músicas. Nos lugares, no hotel, no ônibus; onde a gente tiver dá para gravar. Aí a gente tava gravando na casa, mas não tava dando para gravar direito, porque os cachorros estavam latindo, tá ligado? E aí os cachorros estavam latindo ‘Au Au’ E aí teve uma hora, que eu meio que comecei a latir de volta para ver se eles paravam de latir. Mas aí que eles começaram a latir mais ainda. A gente se mudou de quarto para gravar melhor, mas eu já tava meio com essa ideia na mente e a gente estava fazendo bit e aí eu comecei com o latido dos cachorros, meio que imitando eles, aí eu falei ‘Mano, vou viajar nessa ideia’ e acabou saindo a ‘Dogstyle’ E aí a gente cantou na turnê e quis lançar logo no mês depois. A gente é assim, às vezes tem uma música que demora 3, 4 anos para lançar e às vezes a gente faz uma hoje e quer lançar no próximo mês, porque às vezes é meio atual o papo ou é diferente do que a gente já lançou. É sempre um teste.
Me Gusta: Como foi a escolha das três canções que seriam as primeiras a serem lançadas?
Felp22: Foi difícil. Na real, a gente se apega nas músicas, então a gente bota todo mundo para escutar. Nossos amigos, a rapaziada que trabalha com a gente, e aí tem música que já tá montada pro disco, ou já tão encaminhados e outras que tão soltas. E tem as mais recentes que a gente tem. Como eu falo, é um teste que a gente faz. Tem músicas que são diferentes das outras e uma vibe que a galera gosta mais. A gente tenta se basear nisso daí. A nossa galera vem escutando mais uma ou outra música e a gente já vai fazendo a seleção, e nessa seleção a gente escolheu essas três e depois dessas três que lançamos, já escrevi mais músicas. Então vai ter mais músicas dessas recentes que fiz.

Me Gusta: Como você vê o Rap Nacional?
Felp22: Vejo como uma constante evolução, não só no cenário nacional como no internacional. O Rap tá tendo mais visualização. Nos Estados Unidos e em lugares como na América Latina, o Rap tá em alta, como se fosse o samba no Brasil. Acho que é muito atual e o futuro é muito promissor e aqui no Brasil daqui a pouco acho que vai ser diferente também, como sertanejo e outros gêneros e e tendo festivais. Acho que falta só organização. A gente tem que organizar mesmo, ainda mais que é um terreno muito novo ainda. Aqui no Brasil, não tem tanto tempo assim. Acho que tem uma rapaziada mais antiga que vem fazendo e deixando tudo mastigado para gente. Mas acho que a internet é o que popularizou um pouco mais e tornou mais viral. Você lança um vídeo no You Tube e o clipe agrada o público.acho que é dessa forma que a gente meio que tá contrariando as estatísticas mais uma vez.
Me Gusta: Quais são as suas maiores influências musicais?
Felp22: Tenho várias, mas a rapaziada que eu levo mais como influência não só como música, mas também como pensamento, é o Charlie Brown Júnior e Sabotage. Charlie Brown, o Chorão mesmo, mas as músicas em si com banda e tudo, tem muitas frases que a gente leva para o dia a dia. Tanto o Chorão como o Sabotage.
Me Gusta: Quais músicas não podem faltar no shows?
Felp22: Dejavu, Só Vitória, Fuga, De Ninguém, Olha Só. Tem muitas, mas essas que falei, são as que mais fazem parte da nossa trajetória.
Me Gusta: Como é a relação com os fãs?
Felp22: A relação é no dia a dia. Tanto nos stories do Instagram, como nos shows. a gente tem um fã-clube em cada estado e a gente sempre se comunica. Tem um fã-clube geral que é o Portal Cacife, que é uma reunião de todos os estados e sempre que vai ter show, uma galera do Portal Cacife vai acompanhar a gente nos bastidores e no nosso camarim. Tem uma parada diferenciada, não que seja um fã diferente do outro, mas a gente tem uma organização que luta com a gente todos os dias e a gente quer sempre deixar todos mais a vontade com a gente, e honrar o que eles fazem pela gente.

Me Gusta: Uma música que por sua letra chama atenção é “Manos”. Como surgiu a canção?
Felp22: Foi uma doidera, porque eu tava com o bit e era umas 6 horas da manhã e na gente bateu uma inspiração diferente. Porque a gente sempre sai do estúdio umas 8, 9 da manhã por causa disso. Às vezes eu não consigo fazer nada da meia-noite até umas 4 horas da manhã e aí bate uma inspiração. E “Manos” foi assim. Eu escrevi como uma forma de contrariar a ostentação, que às vezes a gente põe até nas nossas músicas. Não tem só ostentação de massa e de dinheiro. A gente tem que valorizar mais os momentos, tá ligado? Tipo, ‘nada vai trazer os manos de volta” foi uma frase que eu quis usar e explicar o porque disso. Não adianta ter dinheiro, essas coisas, pois nada vai trazer de volta. E no clipe eu quis usar o caso da Marielle, o caso daquele cara que foi fuzilado pelo exército E aquele menino que faleceu com o segurança no mercado. Então eu quis trazer a realidade do que tem acontecido e um pouco da minha realidade. Então fluiu assim do nada, as 6 horas da manhã. Me bateu essa bad na mente e o Bit também tava triste e acabou saindo esse lamento. Uma construção para galera se identificar com o que a gente tava falando.
Me Gusta: O que você pode adiantar sobre os próximos passos do Cacife Clandestino?
Felp22: Esse mês vai ter mais uma trilogia, a “Triunfo”. Mais uma vez a gente mostra esse padrão que a gente tem feito, com essa parada diferente do que os outros músicos fazem. E depois vai sair nosso álbum “Conteúdo Explícito – Parte 2”, a continuação de um grande sucesso do cacife, que a gente quer colocar em forma de filme, que é uma forma diferente de mostrar um disco. Fora, as coisas que a gente faz em paralelo.

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