Me Gusta Entrevista : Eli Soares

Entrevista e texto por André Rossanez

O Portal Me Gusta teve a honra de entrevistar na sede da Universal Music em São Paulo, o cantor Eli Soares, um dos maiores nomes da música gospel atual.

O cantor está lançando o seu novo álbum “360 Graus”, inspirado em trechos bíblicos e o seu mais recente clipe “Deus Não É Culpado” dirigido por Fill Rocha já tem cerca de um milhão de visualizações no You Tube.

Muito simpático Eli me recebeu e bem atencioso e à vontade conversou comigo sobre sua carreira, sua arte e o novo disco. Você vai saber tudo que ele me contou agora, na íntegra.

Me Gusta: Como apareceu a música na sua vida?

Eli Soares: A música começou de berço, não por influência, mas por algo que acredito que seja sobrenatural. Lá em casa ninguém canta, ninguém toca e a música apareceu na minha vida muito cedo. Não foi por influência familiar, mas foi um chamado mesmo, acredito muito nisso. Desde muito novinho minha vida girou em torno de música. Tudo que eu faço tem a ver com a música, está voltada para a música. Ela é a forma que eu tenho de expressar meus sentimentos e me comunicar com Deus. então é algo que veio desde muito novo, não sei falar mesmo de fato como aconteceu, como ela chegou para mim. Acredito que foi escolhido por Deus mesmo para isso, porque o ambiente onde nasci tinha tudo para ser nada parecido com o que é. Eu creio nisso, que a música na minha vida é um fator divino.

Me Gusta: Teve algum momento que você percebeu que a música poderia dar certo como carreira?

Eli: Eu sempre acreditei, ainda mais do que a realidade me mostrava. Sempre acreditei além da realidade. Nunca tive dúvida de que um dia eu ia viver de música, teria um trabalho com isso e viveria disso. Nunca tive dúvidas desde o começo, sempre imaginei vivendo tudo que vivo. Lógico que levando em consideração a realidade que eu vivia, que era completamente ao contrário. Mas eu sempre acreditei além da realidade e é bom olhar para trás e ver que valeu a pena ter acreditado.

Foto: Facebook

Me Gusta: O CD “360 Graus” se baseia em trechos bíblicos. Como surgiu as ideia?

Eli: O ‘360’ foi uma forma de tentar, (Explicar é impossível), uma forma de tentar mostrar paras as pessoas que Deus se manifesta de várias formas. A gente quer limitar o tempo inteiro, o agir e a manifestação de Deus e as coisas, os ambientes, lugares e as situações. E na verdade Deus está em tudo e em todos. Então o ‘360’ tem intenção de mostrar multiformas de graça e a manifestação de Deus, 360 graus em todos os ângulos da vida, em todas as perspectivas e formatos. Deus se manifesta em tudo e um dos veículos em que mais manifesta em mim, é na música e por isso usei as músicas deste disco, para mostrar a multiforma.

Me Gusta: Como foi a escolha de repertório do álbum novo?

Eli: A composição para mim é uma tarefa muito fácil. As canções demoram para sair. É um trabalho 95% autoral, que tem uma música só de um amigo. Então compor para mim é um processo desafiador, tem haver com algumas experiências, alguns momentos que vivi e que acabam se transformando em canções. O projeto foi todo criado com esse objetivo, para apontar os 360 graus e mostrar essa visão sobre Deus através das músicas. Então já tinha um tempo que estava compondo para isso e fazendo todas as músicas nesse sentido. Inclusive uma das primeiras canções foi “Onde Está Deus?” que é uma pergunta até polêmica, mas foi tudo na intenção de mostrar esse 360 graus.

Me Gusta: Como se dá o seu processo de composição?

Eli: Música não tem um formato, uma forma. Faço música de várias maneiras. Desde frases que começam a reverberar dentro de mim, até uma melodia que nasce numa tocada de violão. Tudo isso tem chance de se transformar em uma música, então não tem um formato. Já fiz música dirigindo, já fiz música andando na rua. São formas improváveis de compor, mas que funcionam.

Me Gusta: Como foi a experiência de produzir o seu próprio álbum?

Eli: As músicas quando nascem, nascem com uma direção de arranjo e de produção. Então facilita muito esse caminho, porque a gente sempre faz a música pensando no que ela vai se tornar mesmo. A gente faz uma canção imaginando a sonoridade e o direcionamento do arranjo, é muito legal. Com a banda fica muito fácil. Os meninos são musicais demais e entendem de primeira. Não tem muito trabalho no estúdio. A gente chega, ouve e absorve e já sai tocando. Isso facilita muito a nossa interação ali, o trabalho rende. A produção é sempre um prazer. Eu amo música e tudo que envolve música. Produzir é um lado que eu tenho dado mais atenção nesses últimos tempos e é um mundo. A engenharia do áudio, essa parte de produção musical e arranjo é um mundo que tá me fascinando cada dia mais.

Me Gusta: “Mais Que O Mundo” tem a participação de Késia Soares, sua esposa. Como foi a escolha de qual música ela cantaria com você?

Eli: Ela é extremamente musical. Lá em casa a gente vive um ambiente muito musical e Késia é uma menina que já cantava. Sempre foi movida à música, antes de me conhecer. Só que ela é uma pessoa extremamente tímida, então é um desafio para ela também. Essa música fizemos a primeira versão 2015 no DVD no Rio de Janeiro, e agora nós resolvemos fazer a versão em estúdio, que está linda, mais linda ainda. Para mim é uma honra, um privilégio muito grande dividir a faixa com minha esposa, porque a gente vive isso em casa, essa missão, essa comunhão. Quando se trata de música, a gente é muito alinhado. Gostamos das mesmas coisas, ouvimos os mesmos cantores e a gente pensa muito parecido com a música. Esse é o primeiro de muitos, quero fazer mais singles com ela, de repente até lançar o trabalho dela. A gente tem esse sonho e vai acontecer. Acredito que 2019 promete muita coisa boa vindo por aí.

Foto: Facebook

Me Gusta: Quais são suas maiores inspirações musicais?

Eli: Tenho várias inspirações. Acho até difícil apontar uma pessoa específica, até porque tem muita gente. Eu ouço muita coisa, e muita coisa diferente. Acho que a música que faço hoje é uma mistura de todos esses ícones. Gosto desde a música mineira – que sou apaixonado, as famosas músicas das montanhas, a harmonia mineira – um pouquinho da música brasileira, a música internacional e a instrumental, que eu amo muito também. Tudo compõe. eu falo que é uma vitamina, de tudo isso, que a gente ouve e acaba formando minha concepção. Difícil citar um nome, porque é muita coisa, não tenho um preferido. Depende do momento. Tem momento que estou ouvindo música americana. Tem momento que ouço música brasileira, então é só Brasil. Tenho fases. Para viajar gosto de escutar um tipo de música, para dirigir outro tipo e em casa outro tipo também. Tem a parte do estudo também. Gosto muito de usar música para entender composição, o arranjo, o que tá na moda e entender o que não sai de moda. É um universo muito amplo. Tento absorver da melhor maneira possível tudo.

Me Gusta: Qual a inspiração da canção “Deus Não É Culpado”?

Eli: Essa música é do Anderson Freire, meu amigão, a única música não autoral. Essa música assim que ele fez, ele me deu, me mandou uma mensagem. Eu ouvi os 20 primeiros segundos da música e já sabia que era para eu gravar. É uma música que fala um tema muito importante. Nós temos a mania de culpar Deus, colocar a culpa em Deus, em várias situações, quando na verdade nós mesmos que somos culpados. afinal nós somos reflexos das nossas próprias escolhas da nossa semente aquilo que nós plantamos é o que colhemos tem coisa Que injustiça errado colocar Deus como culpado ele não tem condição de assumir isso porque cabe a nós nós vivemos o reflexo do que fizemos ontem e amanhã o reflexo do que fazemos hoje essa música fala exatamente isso Deus não é culpado se algo der errado, não é culpado se alguém que nós amamos se afasta de nós. Sempre somos responsáveis pelas nossas escolhas, vamos colher o que plantamos. Essa música tem falado muito comigo esses últimos dias e é uma oração muito séria, que toda pessoa devia parar, ouvir e refletir.

Me Gusta: Como foi gravar o clipe de “Deus Não É Culpado”?

Eli: Foi muito legal. Acho que nós conseguimos passar exatamente a ideia da música, que tem uma melodia simples, mas bonita. A gente tentou seguir essa linha no clipe. Foi simples e conseguimos passar o recado. As imagens foram captadas com muito bom gosto. Foi muito legal, uma experiência muito boa fazer essa externa. A galera que captou era muito caprichosa e muito competente. Eu acho que ficou muito legal e o resultado mesmo, foi quase 800 mil views em um dia e estou muito feliz com isso.

Me Gusta: Qual é sua visão sobre o Gospel atual?

Eli: A minha perspectativa é sempre muito positiva e muito otimista. Acho que temos as partes negativas, mas eu tô vendo um crescimento e junto dele, tô vendo uma ampliação muito bacana do evangelho. A música gospel tem saído das quatro paredes e tem atingido outras pessoas, outros meios e nichos. Acho muito importante que a mensagem de Jesus tem sido levada, independente de religião e credo. Eu acho que a música gospel tem ganhado o espaço, que ela sempre deveria ter, porque é uma música muito riquíssima e temos muita gente talentosa e capaz. Estou muito feliz, porque a música tem crescido e entrado em vários lugares levando uma mensagem de paz e de coisas boas. E o mais importante, a mensagem do evangelho de Jesus é amor ao próximo e viver uma vida plena e abundante. Eu sempre gosto de focar no desenvolvimento, no crescimento. Muita gente tem uma visão negativa e eu gosto de focar no positivo e no que tem mais a ver com a gente.

Me Gusta: Qual a inspiração para a música “Tempo”?

Eli: Essa música foi muito interessante, porque eu amo falar de tempo. Acho que tempo é um agente de Deus para nós. Deus nos deu o tempo para nos curar, para nos ensinar algumas coisas. O tempo é muito útil em várias áreas de nossa vida. Serve para curar feridas, serve para arrancar de nós mágoas e machucados, feridas antigas. Sempre quis falar de tempo e eu tinha um refrão na minha cabeça. E um brother, amigo meu que cresceu comigo, uma vez foi na minha casa e tocou acordes, cantando uma melodia e quando ele começou a cantar sobre o tempo eu falei ‘Uau isso tem a ver com o que eu já tenho’. Então eu misturei, adaptei algumas coisas e saiu essa canção linda, que é uma das que mais gosto no disco também, e que fala sobre esse tema que eu queria achar palavras para falar dele consegui através dessa música. Para mim foi uma alegria falar do tempo r como ele faz bem para a gente e como a gente tem que enxergar o tempo. Tem gente que tem dificuldade de falar e de ouvir que tá ficando mais velho, mas isso traz coisa boa para a gente, porque traz experiências e amadurecimento. Então o tempo é muito válido e falar do tempo foi muito legal.

Me Gusta: Qual é a maior dificuldade e a melhor parte da carreira de cantor?

Eli: A maior dificuldade, acho que hoje, é o tempo com a família. Como você tem uma agenda muito corrida, você acaba não tendo tanto tempo para ficar em casa. Tô vivendo uma fase muito complicada, porque tenho um filho de 2 anos e minha filha está nascendo agora, daqui um mês e meio. Então nunca foi tão difícil sair de casa. Então, o cantor não tem uma rotina em casa, de poder levar o filho na escola e é uma loucura o que a gente vive . Queira ou não a nossa família cai também nessa loucura, porque a agenda dela depende da nossa. Então acho que uma das partes mais difíceis é ficar esse tempo fora de casa, longe da família e longe de quem a gente ama. Quando os filhos chegam, os valores mudam, algumas formas de enxergar o mundo muda. Então tá sendo muito difícil estar fora de casa. E a melhor parte disso tudo é poder ser um instrumento para levar a mensagem para as pessoas. Acho que a música tem se tornado uma ferramenta muito importante hoje, porque ela entra onde a religiosidade não entra, onde um paletó e uma gravata de repente não entrariam. Acho que a música consegue entrar através da arte e levar essa mensagem que é o nosso principal objetivo. Falar de Jesus e do que Jesus faz, do que ele é para nós e aquilo que ele pode fazer em nossas vidas. Essa é a melhor parte. Ser um instrumento de Deus e fazer com que as mensagens de Deus cheguem nas pessoas e onde talvez não chegariam de formas convencionais. A música tem sido esse instrumento e para mim é um privilégio.

Foto: Facebook

Me Gusta: O que você pode adiantar para 2019 na carreira?

Eli: Vai ter muita coisa boa para acontecer ainda. Então, esse ano podem esperar de cara, o “Memórias 2”. “Memórias” foi um dos trabalhos mais especiais da minha carreira e que trata de canções antigas, canções que fazem parte da minha história, meu desenvolvimento, meu crescimento. Tive a honra de gravar algumas canções dos anos 80 e 90 e foi graças a Deus , um sucesso. A gente ouviu muitos testemunhos, de muitas pessoas lembrando deste tempo de crescimento, dessa primeira fase de igreja, da música gospel e agora em 2019, se Deus quiser, no segundo semestre lançarei o volume 2 de “Memórias”. Estou com muita expectativa para esse projeto, já selecionando repertório e começando a pré-produção. Tô feliz, creio que vai ser também uma benção para as pessoas poder resgatar essas canções, que muitas vezes são esquecidas. O tempo passa, canções novas vão chegando, mas existe uma essência muito boa, muito verdadeira nessas músicas antigas . A missão do “Muito” é realmente resgatar. Talvez um DVD do “Memórias”, a gente tá vendo algumas possibilidades. Mas tem muita coisa boa.

Me Gusta: Como é sua relação com os fãs?

Eli: Eu tento dar o máximo de carinho possível, até porque eu entendo que eles foram o canal de Deus, para eu estar vivendo tudo que vivo hoje. Através de quem gosta, de quem consome, quem admira minha música, então eu sempre que tenho oportunidade gosto muito de dar carinho, tirar foto ou vídeo, bater um papo, por mais que seja corrido na maioria das vezes. Eu sempre gosto de estar perto, de ter este contato depois de eventos e tirar fotos. é uma forma também de retribuir esse carinho e por terem acreditado em mim e em minha carreira.

Me Gusta: O que você diria para cantores que estão começando?

Eli: A primeira fase é sempre a mais difícil. Você entender, se descobrir e entender o seu caminho e a fórmula que você tem que usar. Meu conselho é não desistir. Muita gente desiste no primeiro momento, nesta primeira fase e acaba deixando de viver, tudo que um dia podia viver. Não vale a pena desistir. Se você acredita, se você sonha com isso, você precisa correr atrás e precisa estar disponível. As diversidades vão vir, problemas vão acontecer. Afinal todo mundo tem problemas, mas a forma como nós encaramos os problemas é que vai dizer onde iremos chegar. desistir não é uma opção para quem quer avançar, quem quer conquistar e viver esse sonho. Acima de tudo, se tá dentro de um propósito divino, fazendo a vontade de Deus e levando essa música para milhares de pessoas. Não desista, porque talvez uma canção sua, pode mudar a história de alguém, pode fazer tudo valer a pena e você vai entender o verdadeiro sentido.

Capa do álbum “360 Graus”

É sempre muito bacana poder conversar com um cantor que além de talentoso, ama e muito a música. Esse amor é totalmente visível no olhar de Eli Soares.

O bate papo além de muito bacana foi inspirador. Inspira a gente a não desistir dos nossos sonhos e a vermos que somos capazes, de fazer, até aquilo que parece impossível.

Destaco também o amor que consegui perceber na voz e no olhar de Eli, ao falar de sua esposa e de sua missão como cantor.

Eu com Eli Soares após a entrevista

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