Me Gusta Entrevista : Clóvis Pinho

A banda gospel Preto no Branco está lançando o seu novo EP, “Segundo Tempo”. E o Portal Me Gusta teve a honra de estar na sede da Universal Music em São Paulo para conversar com o vocalista Clóvis Pinho.

Clóvis me recebeu com muita simpatia e brilho nos olhos. Conversamos sobre a banda, carreira e o novo trabalho. Foi uma conversa muito bacana com um cara muito gente boa. Você vai ficar por dentro de tudo que Clóvis me contou.

Me Gusta: Como foi formado o grupo?

Clóvis Pinho: O grupo foi formado através do Alex, que é o idealizador do projeto. Ele convidou todo mundo e reuniu a princípio quatro cantores, cada um com sua carreira solo. A medida que o tempo foi passando, a gente foi descobrindo que o Preto no Branco estava centralizado mais numa parte dele. Ficamos eu e o baterista, e a gente conseguiu reformatar a mensagem da banda, uma mensagem mais para o cotidiano.

Capa do EP “Segundo Tempo”

Me Gusta: Como surgiu o nome “Preto No Branco”?

Clóvis: O nome Preto No Branco tem um significado que quer dizer, no sentido do dito popular, ‘comigo é Preto no Branco’, falar a verdade, não ter curva para nenhum assunto e musicar esses assuntos pertinentes para a sociedade.

Me Gusta: Como se dá o seu processo de composição?

Clóvis: Das sofrências da vida e das alegrias da vida. De tudo que a gente pode ter experiência de vida e isso vai se tornando informações para que se transform em emoções. A partir daí, a gente consegue extrair dessas emoções, algo artisticamente, concentrando para nossa realidade artística e musical. É mais ou menos das situações da vida, que a gente tira essas experiências. e nós temos a Bíblia que é um livro que mais nos orienta como um manual prático da vida.

Me Gusta: Como foi a escolha de repertório do EP “Segundo Tempo”?

Clóvis: Já tenho um tempobestudado e pesquisado muita coisa para esse momento, que é um período diferente da banda, onde a gente está fazendo o famoso crossover de uma forma mais quente, digamos assim. A gente tem falado fora das fronteiras da nossa comunidade. E a escolha de repertório, cada vez a gente vai compondo mais e a gente já tem uma seleção das músicas que entrariam para o EP, as favoritas. Na medida que a gente foi compondo mais algumas outras, nlas primeiras começaram a serem substituídas e a gente foi tendo a certeza de que as que ficaram para o fim da fila, não eram para esse projeto. Aproveitamos e damos atenção para aquelas que ficaram e todo mundo ficou feliz.

Me Gusta: Como surgiu a parceria com a dupla César Menotti e Fabiano?

Clóvis: César Menotti e Fabiano já tinham uma relação de amizade com Alex, o idealizador do Preto No Branco e quando eu percebi que ele já tinha essa amizade, cogitamos várias pessoas que pudessem participar e eles eram os que faziam mais jus, porque a música já tinha mais apelo meio que pop, ee a gente já resolveu assumir logo que essa canção veio para dar esse recado, com essa roupa. Convidamos eles que toparam demais e a gente ficou muito feliz com a participação e está sendo muito bacana.

Me Gusta: Muitos artistas não gospel curtem o trabalho de vocês. Como você vê isso?

Clóvis: É muito louco. A gente vive no universo que parece uma realidade paralela, mas não é. É a realidade de todo mundo, que tem que pagar a conta, e que está no mesmo Brasil enfrentando tantos problemas preconceituosos e ideias ultrapassadas. E a arte, eu acho que é a única linguagem que faz com que a gente se entenda da mesma forma. E quando a gente começou a perceber alguns artistas que a gente já gostava tanto, curtindo nosso som, Foi aí que a gente começou a se mexer, se organizar mais para poder continuar fazendo música que pudesse ser sem fronteirase pudesse passar mensagem para o maior número de pessoas possível.

Me Gusta: “Ninguém Explica Deus”é sucesso até hoje.!Como foi a inspiração para essa música e em que momento ela apareceu?

Clóvis: Eu tava e aí falando com os amigos aqui em São Paulo, num momento muito bom, trocando idéia, tocando violão e começamos a falar sobre esse papo de vida e morte. E entramos no assunto de teologia e do nada eu falei, ‘quer saber, ninguém explica Deus, porque Deus é uma pessoa muito absurda, não pode caber no conceito humano’. E então alguns amigos falaram ‘isso aí dá uma música’. E foi tão simples. Cheguei em casa e comecei a trabalhar ela. Aconteceu de uma forma tão espontânea, natural.

Me Gusta: Como se deu o dueto com Kivitz na faixa “Se Organize”?

Clóvis: Foi maravilhoso. Ele é um amigo querido de um tempo. Ele é do Rap e a comunidade do Rap Brasileiro tem abraçado ele muito. Ele não faz uma música com mais gente. A gente lançando uma comunidade cristã, mas agora a gente tem feito essa coisa de atravessar os muros. Ele já vinha fazendo sempre além dos muros, então quando eu escrevi a música “Se Organize”, A gente buscou várias referências do Rap Americano, do Hip Hop e logo veio a ideia de ter alguém cantando Rap. O Rap dele caiu como uma luva, porque a ideia dele é muito acertiva, é um discurso muito acertivo. E já que ele fez parte da minha lista de telefone, veio muito a calhar.

Me Gusta: Quais são suas inspirações na música?

Clóvis: Dentro da música geral, Djavan, Caetano Veloso e Gilberto Gil. acho que a partir destes três caras eu consigo definir muito bem as minhas inspirações artísticas. E do Gospel, Kirk Franklin e Mali Music, que é um cara do Gospel também animal que faz som para fora. E um cara que mudou de nome. O nome dele era Tonéx e agora nessa nova fase gosta de ser chamado de BSlade, um cara que foi até massacrado pelos cristãos convencionais por causa da sexualidade dele e ele começou a fazer a diferença por conta disso, mas sempre foi um cara que me inspirou no jeito visceral de cantar, aquela coisa do Gospel Americano.acho que com esses três posso resumir muito bem.

Me Gusta: Como você vê o gospel atualmente?

Clóvis: Vejo o Gospel atualmente como um pré-adolescente. ele já viveu tanta coisa, mas ainda tem muito o que aprender. Ele precisa sair de casa, arrumar um emprego, enfim, e projetar a vida dentro daquilo que sonha. Amadurecer mais. Eu vejo que a música gospel já percorreu um caminho muito significativa no Brasil. A gente tem vários desbravadores, mas tem muito para crescer. A gente comemora que “Ninguém Explica Deus” é a música de maior acesso do mundo inteiro no segmento gospel. A gente comemora, mas ao mesmo tempo a gente fica “poxa, porque só agora?”. A gente já devia estar muito além, então acredito que a forma leve de levar o evangelho, de chamar as pessoas para um diálogo dentro da música vai promover isso e vai fazer com que as pessoas se desarmem mais e vai fazer com que a gente aprenda a não ter mais o discurso chato de prisão religiosa, com qualquer lavagem que seja. Mas a gente vai apresentar uma verdade em que a pessoa vai estar disposta a concordar com o não. Acho que o Preto no Branco traz essa característica de uma música para todos, de uma forma livre e Jesus Clcomo ele sempre foi. Abraçando qualquer pessoa de qualquer costume ou religião.

Me Gusta: O que podemos esperar de Preto no Branco para 2019?

Clóvis: Primeiro sai a música “Com Você Eu Topo” com César Menotti e Fabiano sai também o vídeo da música “O Autor” com Marcos Almeida, que é uma grande referência para gente de fazer música sem fronteira e também um grande amigo. A gente pensa em fazer o máximo de ‘feats’ possível e chamar artistas que a gente admira para perto para fazer música junto. E dependendo de como a gente sentir esse lançamento a gente vai se organizar para o próximo.

Preto No Branco é uma banda que veio para ficar e mostrar que a música gospel é para todos e sem precisar ser quadrada.

Clóvis Pinho é um homem e um artista de muita visão. Foi muito bacana ver a forma como ele vê o mundo e como ele demonstra através de seu olhar, o amor que tem pela sua música e seu trabalho.

Tenho certeza que o grupo vai conseguir tocar o coração, cada vez de mais pessoas. Sua música vai atravessar barreiras. Sucesso!!

Eu com Clovis Pinho após a entrevista

Texto e Entrevista por André Rossanez


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