Me Gusta Entrevista – Saulo

Hoje à noite em São Paulo no Tom Brasil, o cantor Saulo vai se apresentar e ontem foi dia dele fazer uma apresentação exclusiva para fãs no Estanplaza Hotel. Depois o Me Gusta teve o privilégio de entrevistar o cantor para falar da Turnê “O Azul e o Sol”.

Muito simpático e gente como a gente, o carismático Saulo foi ao encontro de seus fãs e se sentou ao chão com eles para conversarem um pouco antes do show. Só depois é que ele foi se preparar para retornar e animar a todos com suas músicas.

Em um clima mais intimista, porém nem um pouco menos animado o show começou a voz e violão no palco improvisado. Saulo disse que era estranho tocar sem outros instrumentos mas que somente com violão era muito importante para aproximar ainda mais todo seu público a ele e para um local mais intimista e menor.

O cantou apresentou principalmente músicas do mais recente disco (‘O Azul e o Sol’) que trouxeram um clima de animação e amor no ar. A plateia se contagiou e cantou muito com Saulo ao som de ” Sol Em Festa”, Deixa Lá”, a empolgante “Terra Nossa”, a incrível “Ancestral” que resgata a cultura afro e a Bahia, “De Repente Mente”, “Mó” e “A Gente Leve”.

E claro, também cantou seus maiores hits como ” O Mundo Estava Em Guerra”, “Preta”, ” Singela Bruta” e “Rua 15” que quem vos escreve adora tanto. Foi lindo ver ele cantando as músicas que seu público pedia ali na hora e o ver dedicando canções a vários de seus fãs.

E claro não faltaram as faixas da época do artista no vocal da Banda Eva. Todos cantamos e muito junto a ele as saudosas “Só Eu E Você”, Diz Que Vai Voltar”, ” Toda Linda”, ” Não Precisa Mudar” e “Nosso Amor É Lindo”.

É lindo ver um artista como Saulo no palco. Além de cantar muito e com afinação impecável, ele tem muito carisma e consegue passar todo amor que sente pela música e por seus fãs. É bárbaro ver a proximidade que ele tem ao seu público, sempre sendo carinhoso, gentil e inclusive sabendo o nome de variosxde seus admiradores.

Confira na íntegra a entrevista que o Me Gusta fez com ele. Garanto que você vai adorar…

A Entrevista Exclusiva

Me Gusta: O que podemos esperar de sua turnê?

Saulo: “Leveza e muita percussão alta que eu gosto muito. Mas é um show de amor à palavra, sabe? Esse disco é um álbum de texto, livro de música. São textos que viraram canções. Então todo o show é através de palavras. Tem um negócio de um silêncio visual, a gente não tem led, não tem projeção. É de luz, sombra e espelho. Eu acho que as pessoas vão se divertir muito porque é um show de música da Bahia, de Axé Music, então tem aquela coisa de ‘tá chegando o Carnaval, Fevereiro’. Tem a lembrança de cantar aquelas canções do Carnaval. É uma festa, um show de quase 4 horas de duração”

Me Gusta: Como foi o processo de escolher as faixas do disco ‘O Azul E O Sol’ que estariam no show? E as outras?

Saulo: “É difícil. O processo é assim. A gente reproduz o disco no show. Só que com o tempo senti a necessidade de enxertar coisas dos outros discos e aí é muito complicado. Fui através do texto. Por exemplo, se eu falo de encontro aqui eu pego alguma coisa que fala de encontro. Se estou falando de Alegria, pego alguma conexão. Então eu tentei fazer isso. Aí vem ‘Lugar de Alegria’, ‘Singela Bruta’ e ‘Encontro Marcado’ que são canções de outros discos que estão no repertório”

Me Gusta: Como.você vê sua relação com seus fãs?

Saulo: “Desmistificada. Não existe aquele cara do palco grandão, artista importante. ‘Foda-se isso’. A gente tá compartilhando um sentimento bom que a música trás. A gente tá tentando mudar o mundo com isso. A gente tá fazendo uma espécie de exércitozinho assim, sabe? Tem o líder? Tem. Alguém que tem uma voz que vai falar por todo mundo. Pode ser eu? Pode. Mas eu não me sinto diferente de ninguém. Eu me sinto comunicador de algo muito maior que é a música”

Me Gusta: Como você vê o Axé e a música brasileira atuais?

Saulo: “O Axé, acho que a gente tá produzindo muito, mas o Sistema Axé Music tá meio sei lá. Tem muita coisa, são 30 anos de Axé Music, acho que já deu muita coisa. Mas lá em Salvador, na Bahia se produz muito o tempo inteiro. A questão é que se reduz o Axé á música de Carnaval, mas a música da Bahia está acontecendo muito grandiosamente. ‘Bahiana System’, ‘ÀttoxxÁ’, tem várias coisas acontecendo. E eu tô fazendo Axé, insistindo no que eu gosto, é minha formação. Algumas pessoas dizem que até meu repertório é de alguma maneira um pouco velho, soa um pouco antigo porque tem um pouco dos anos 80 e anos 90. Mas essa é a música que eu gosto de fazer. E a música brasileira atual, acho que é mais americana do que brasileira. A gente tá reproduzindo muita coisa gringa. A gente tem tanta riqueza aqui. A gente tem Elba Ramalho, Gal Costa, Maria Bethânia. E a gente imita Beyoncé, Rihanna. Viva a música brasileira!”

Me Gusta: Como se dá o seu processo de composição?

Saulo: “Eu gosto muito de escrever textos. Por exemplo eu vou subir agora pro quarto, talvez eu até escreva um texto. Eu gosto de exercitar isto. Tenho muitos parceiros. E ultimamente as coisas estão surgindo a partir dos textos. 80% desse repertório do disco são textos que viraram canções.  Mas o processo de composição acontece a qualquer momento, já fiz canção em silêncio profundo, mas já fiz canção em um quarto cheio de gente. Acho que compor é captar, é você estar atento o tempo inteiro para captar coisas que não são nossas. Alguém detém esse poder da música. A gente só tá aqui captando e sendo comunicador”

Me Gusta: O que poderia adiantar de seus planos para 2018?

Saulo: “Rapaz, eu quero compor muito. Pra mim, eu compondo, a vida tá boa. Se o show da turnê correr, estiver ensaiado, bonitinho a gente vai fazer mais uns sete lugares daqui pra frente. Se ele correr bonitinho, estiver afiado talvés eu faça um DVD desse trabalho, desse show que é tão bonito. Só vou fazer DVD se tiver bem bonito, afiado. Porque é muito difícil. Um show só vai ficando bom no quarto ou quinto. A estreia foi em Aracaju, foi tensa, a gente tentando acertar as coisas. Mas tem um pré planejamento para um DVD”

Me Gusta: Após tanto tempo de carreira quais sonhos gostaria de alcançar?

Saulo: “Já alcancei prêmios bem bonitos. Já dividi o palco com meus ídolos Guiguio, Pierre Onassis. Tem também os compositores com quem eu aprendi a escrever. Tenho a parceria com Ivete e Maria (Gadú) que é uma delícia e a gente adora fazer. Não sei, talvés cantar com o Djavan. Gosto tanto de Djavan. A gente já se encontrou em algumas situações, mas a gente nunca cantou junto. Esse é um sonho bonito e que pode ser real. Mas o meu maior sonho é ver meus filhos legais, com cabeças boas e eu continuar com cabeça boa para compor”

Me Gusta: O que você diria para os artistas que estão começando sua carreira?

Saulo: “Que sejam verdadeiros. Podem lhe ofertar o mundo, mas não venda sua alma, seja verdadeiro. Não se parametre pelo outro. Tenho tatuado na minha mão ‘Siga’. Siga, não olhe para o lado, faça o seu, crie o seu. Tenham cuidado. Existe uma coisa chamada responsabilidade artística, que é muito importante. Antes de ser artista veja o que é isso, porque você vai falar para um monte de gente, então se capacite primeiro. E arrisque. Arrisque. Porque a arte é se arriscar sem medo”.

Eu com Saulo após a entrevista

Entrevista e texto: André Rossanez

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